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O BNDES e os “R$ 500 bi”

Um número que você já deve ter visto ligado ao BNDES e que gera muitas dúvidas é o de “R$ 500 bi”. Afinal, onde foram parar os "R$ 500 bi" que o BNDES recebeu do Governo Federal? Você já deve ter ouvido essa pergunta em vídeos e posts que circulam nas redes sociais, mas provavelmente nunca ninguém te explicou o que de fato aconteceu.

O BNDES dá dinheiro para empresas?

Não. Assim como todos os outros bancos, o BNDES não dá dinheiro. Ele faz empréstimos a clientes e também pode se tornar sócio de algumas empresas, através da compra de ações. Como banco público, o BNDES atua financiando empresas, empreendedores e entes públicos para apoiar o desenvolvimento do Brasil.



E de onde vem o dinheiro que o BNDES empresta para as empresas?

Para ter disponibilidade de dinheiro para emprestar, o Banco levanta recursos de diferentes fontes. Fontes governamentais, como o Tesouro Nacional e os fundos FAT e PIS-PASEP, representam parcela significativa da estrutura de capital do BNDES, atualmente respondendo por 71,0% dos recursos totais.

Outras fontes de recursos do BNDES são: outros fundos governamentais – como do Fundo da Marinha Mercante (FMM) e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e de seu fundo de investimento (FI-FGTS); captações no exterior – via organismos multilaterais ou emissão de títulos (bonds); e emissões privadas de Letras Financeiras.

De onde surgiu esse número de “R$ 500 bi”?

Entre 2008 e 2014, o Tesouro Nacional emprestou R$ 440,8 bi ao BNDES, e não “R$ 500 bi”. 

O Banco utilizou esses R$ 440,8 bi na concessão de financiamentos para mais de 400 mil empresas, assim como para estados e municípios, de forma direta ou indireta. Nas operações diretas o BNDES concede os empréstimos diretamente aos clientes. Nas operações de financiamento indiretas, o BNDES repassa os recursos a instituições financeiras públicas e privadas, que por sua vez emprestam para os clientes. Tais operações são usadas para ampliar o alcance dos recursos do BNDES em todo o país, já que o Banco não possui agências bancárias espalhadas pelo país. Conheça as formas de apoio do BNDES: financiamentos diretos ou indiretos.

O que são financiamentos indiretos e qual foi a parcela do valor destinada a eles?

Os financiamentos indiretos são aqueles em que instituições financeiras e bancos parceiros, públicos e privados, são responsáveis por receber os pedidos de financiamento, negociar as condições de empréstimo, avaliar o risco e aprovar ou não o valor do repasse do recurso financeiro aos clientes. Dos R$ 440,8 bilhões captados pelo BNDES com o Tesouro, R$ 282,5 bilhões foram destinados a operações indiretas. Veja como foi a distribuição desse valor entre os bancos parceiros:

Agente financeiro

Número de empresas

Valor (em R$ bilhões)

BB

128.731

53,0

BRADESCO BM

104.666

50,9

ITAÚ UNIB BM

55.851

48,1

SANTANDER BM

11.599

17,3

VOLKS BM

41.981

14,1

MERCEDES BM

25.731

11,7

SAFRA BM

7.601

7,6

VOTORAN BM

2.143

7,4

CAIXA CEF

17.765

6,8

DLL BM

46.450

6,4

VOLVO BM

10.626

5,9

KIRTON BANK

2.179

4,7

BRDE

5.505

4,4

CATERPILL BM

4.033

4,4

CNH BM

13.709

3,9

Demais agentes

-

35,9

Total

 

282,5

Observação: a mesma empresa pode ter contratado empréstimos com mais de um agente financeiro.

 

E os R$ 158 bi restantes?

O restante dos recursos do Tesouro Nacional recebidos pelo BNDES (R$ 158 bi) foram usados em operações diretas, ou seja, em financiamentos contratados diretamente entre BNDES e clientes, sem passar por outros bancos. Destas operações, R$ 86,7 bilhões foram emprestados para empresas estatais, governos estaduais e municipais. Os outros R$ 71,6 bilhões foram para a iniciativa privada.

Empresas estatais

Estatais federais, estaduais e municipais

R$ milhões

Petrobras

46.883,1

CEF

7.701,6

Banco do Brasil

6.964,5

TAG

6.312,7

Finep

4.269,6

Petroquímica Suape

1.164,1

Copel

895,7

Citepe

490,2

Transpetro

395,4

Gasmig

261,1

Cemig

117,3

Eletrosul

98,7

Corsan

82,5

Cesan

58

Sabesp

53

Demais estatais

217,8

 

75.965,6

 

Governos estaduais e municipais

Estados (E) e Municípios (M)

R$ milhões

São Paulo

3.540,9

Espírito Santo

1.885,8

Santa Catarina

1.661,0

Rio de Janeiro (E)

1.481,4

Mato Grosso do Sul

370,0

Ceará

359,0

Piauí

351,1

Rio de Janeiro (M)

305,4

Minas Gerais

294,3

Goiás

225,0

Maranhão

149,7

Pará

72,9

Bahia

50,0

Rio Grande do Sul

30,0

Caxias do Sul (M)

3,6

 

10.780,3

 

E quais foram as empresas privadas que mais receberam esses financiamentos diretos do BNDES?

Dos recursos destinados às empresas privadas, 65% foram para 30 grupos empresariais.

 

OPERAÇÕES DIRETAS: 30 MAIORES GRUPOS

R$ milhões

EMBRAER (1)

9.307,8

OI

5.567,7

ODEBRECHT (1)(2)

3.390,8

FIAT CHRYSLER AUTO

1.890,7

SANTO ANTONIO

1.709,6

VOTORANTIM

1.606,1

INTERLIGAÇÃO MADEIRA

1.481,0

NORTE ENERGIA

1.427,0

TELEFONICA

1.330,8

IBERDROLA

1.253,6

NORTE BRASIL

1.235,0

VALE

1.232,8

AMBEV

1.139,9

COSAN

1.125,2

ULTRA

1.117,4

RAIZEN

1.076,3

BRASKEM

996,2

STATE GRID

971,6

LOJAS AMERICANAS

951,4

RUMO

875,1

TIM

858,0

ANGLO AMERICAN

799,0

ARCELORMITTAL

741,3

KEPPEL FELS(1)

656,0

FIBRIA

629,3

ALCOA

611,9

SUZANO

596,2

INVEPAR

583,2

MOVE SP

550,0

CAMARGO CORREA(1)

544,8

TOTAL

46.255,7

Observações:

(1) Os dados incluem apoio à exportação na modalidade pós embarque, na qual o exportador brasileiro recebe os recursos em reais no Brasil após a comprovação das exportações brasileiras, e o devedor é o importador, ou seja: a empresa ou país estrangeiro que compra o bem ou serviço.

(2) Grupo Histórico – Apresenta desembolso para empresas que já foram vendidas e atualmente não fazem mais parte do grupo.

Então quer dizer que o BNDES deu dinheiro do Tesouro Nacional para essas empresas?

Não. O BNDES não dá dinheiro para empresas. Todo o dinheiro emprestado com recursos do Tesouro Nacional volta para o BNDES com juros no momento em que os clientes pagam seus financiamentos ao Banco. Dessa forma, os R$ 440,8 bilhões iniciais voltam a circular na economia, sendo aplicados em novas operações ou devolvidos ao Tesouro. Veja aqui como estão alocados os recursos do Tesouro hoje.

E o Tesouro Nacional continua aportando dinheiro no BNDES?

Não. A última transferência de dinheiro do Tesouro Nacional para o BNDES foi em 2014. A partir de 2015, o Banco começou a devolver esse dinheiro aos cofres do Brasil, inclusive antecipando algumas parcelas. De 2009 até outubro de 2019, o BNDES já pagou de volta ao Tesouro Nacional R$ 485,74 bi (em valores correntes), incluindo juros. Somente em 2019, já foram devolvidos ao Tesouro mais de R$ 94,76 bi e outra liquidação antecipada no valor de R$ 30 bilhões, já aprovada pelo BNDES, deve ocorrer até o final de 2019. Veja aqui as captações e devoluções ao Tesouro.

Ficou claro? Se você tem dúvidas sobre outros casos que nos envolvem e quer conhecer mais sobre as ações do BNDES, dê uma olhada no restante do site. E lembre-se: o BNDES está aberto pra você. Está aberto para o desenvolvimento do Brasil.

Veja também
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